A Estrada de Ferro Minas e Rio se originou de uma concessão feita em 1875, pelo Governo Imperial ao Brigadeiro José Vieira Couto do Magalhães (foto) e ao Visconde de Mauá, com a denominação de Estrada de Ferro Rio Verde.
Em 2º de Agosto do mesmo ano, os engenheiros Raimundo Teixeira Belfort Roxo e José Wirth foram encarregados, por aquele Governo, da verificação, no terreno, dos respectivos estudos.
No dia 3 de Maio de 1876 foi aceito o projeto de entroncamento na 4ª Secção da Estrada de Ferro D. Pedro II, sendo designada a povoação de Três Coraçôes para término da linha; e em 10 de Junho ficou assentado definitivamente que seria essa povoação o ponto terminal, no caso de ser insuficiente o capital garantido para leva-la além desse ponto.
Em 12 de Setembro de 1877 (Decreto n. 6.683), quando foram aprovados os estudos da companhia, o Estado deu a garantia dos juros de 7% pelo prazo de 30 anos ao capital adicional de Rs. 2.150:000$000. O capital afiançado e garantido ficou, assim elevado a l6.150:000$000 pois que era de 14.000:000$000, de acordo com o Decreto Imperial n. 5952, de 23 de Junho de 1875.
O Governo lmperial, por despacho de 30 de Abril de 1878 declarou oficial o orçamento organizado pelo Conselheiro Lussio, na importancia de 15.495:253$085, para a construçâo da estrada.
Em Londres, a 24 de Abril de 1880 organizou-se uma companhia com o nome "The Minas and Rio Railway", com o fim de construir a estrada. Para que essa Companhia pudesse funcionar no Imperio, o Governo Imperial deu a respectiva autorização, pelo Decreto n. 7.734, de 21 de Junho do mesmo ano de 1880.
Em 21 de Abril de 1881, tiveram começo os trabalhos de construção, tendo sido em 3 de Maio (decreto n. 8.068), aprovada uma modificação no traçado da linha nos seis primeiros quilometros (distancia que hoje corresponde ao trecho de Cruzeiro a Rufino de Almeida). Essa Companhia inglesa tinha como representante no Brasil Mr. Hunt.
Imperador D. Pedro II em visita ao Túnel da Mantiqueira em 25/06/1882. Ao seu lado a Imperatriz Terêza Cristina, a Princesa Isabel, o Conde d'Eu e os Príncipes D. Pedro Augusto e D. Augusto (ambos netos do Imperador, filhos da Princesa D. Leopoldina); Conselheiro de Estado e Senador do Império, Dr. Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, Barão da Laguna (Senador do Império e Camareiro de S.M.); Visconde de Bom Retiro (Senador do Império); Conselheiro e Senador Afonso Celso (Visconde de Ouro Preto); Dr. Cristiano Benedito Otoni (Senador do Império e construtor da E. F. D. Pedro II); Baronesa de Fonseca Costa (Dama da Imperatriz); Dr. Afonso Pena (Ministro da Agricultura e Viação); Mr. Herbert Hunt (construtor da ferrovia).
Aproximava-se 1884. As linhas, atacadas em diversos pontos, já estavam em adiantado passo. A Serra da Mantiqueira, sentinela indormida, oferecia aos construtores as mais serias dificuldades. Deter e concentrar ali todos os esforços na perfuração daquele colosso, para fazer o tunel, não seria o mais aconselhavel. E assim foi que, enquanto se procedia á perfuração de ambos os lados, fez-se, com trilhos, o chamado plano inclinado por cima da serra quasi indomavel. Pelo plano inclinado, passaram os primeiros carros e o material necessario para as obras de avançamento, além de uma, pequena locomotiva que, pela sua conformação, era denominada "Tatuzinho".
Marc Ferrez, fotógrafo de renome, documenta a construção da Minas and Rio Railway, registrando a visita da família imperial às obras de abertura do túnel da Mantiqueira, efetuada a 25 de junho de 1882.
Em 5 de março de 1883, quando as linhas não estavam concluídas, foi inaugurado o Tunel Grande, com a honrosa presença de S.M. o Imperador D. Pedro II. As primeiras locomotivas que o atravessaram foram as de ns. 1 e 2 ("Joaquim Delfino" e "Tomas Coelho").
A construção da estrada terminou em 1884.
E, no dia 14 de junho desse ano depois de examinadas todas as obras pelos engenheiros Burnier e Alzin, foi ela aberta ao trafego desde Cruzeiro até Três Corações do Rio Verde, com extensão de 170 Km.
De Cruzeiro a Passa Quatro, o comboio especial foi guiado por Tomas Morton; e de Passa Quatro até Três Corações foi levado por Henrique Turnen, ambos de nacionalidade inglesa.
Atrelada a composição, que levava a figura insinuante de D. Pedro II, a locomotiva n. 7, denominada "Couto de Magalhães" vencia aos espaços, toda ornamentada de flores, reluzente nos seus metais polidos e na faceirice de sua pintura nova.
Contam os ilustres filhos de Henrique Turner, residentes em Cruzeiro, que o trem inaugural, com sete carros lotados de passageiros, fez o percurso de Passa Quatro a Três Corações (135 Km) em duas horas e trinta e cinco minutos. Sem dúvida, foi um "record" para aqueles tempos, pois a proeza significa uma velocidade de 52,2Km por hora.
A locomotiva "Buarque de Macedo" (n. 8), escoteira, precedendo de 10 minutos o trem inaugural, foi incumbida de patrulhar a linha, sendo conduzida pelo maquinista ingles Charles Beck.
Na sua corrida desabalada, o primeiro trem apenas parou duas vezes em todo o seu percurso de Passa Quatro a Três Corações: em Carmo, para abastecimento de água e lubrificação e renovação do fogo e ainda para receber o então Barão do Monte Verde; e em Contendas, para receber o Barão de Contendas.
O horário foi religiosamente cumprido e, ao saltar de sua locomotiva, o maquinista foi honrado com um abraço de D. Pedro II.